Mulheres que lideram transformações nos territórios – Dia Internacional da Mulher

No Brasil, milhões de mulheres são responsáveis por sustentar famílias, produzir alimentos, empreender e fortalecer economias locais. Muitas vezes enfrentando barreiras históricas de acesso à renda, crédito, terra, qualificação e oportunidades.

Na agricultura familiar, elas desempenham um papel essencial. Segundo dados do IBGE, as mulheres representam cerca de 45% da força de trabalho no campo, atuando na produção de alimentos, no beneficiamento de produtos e na organização comunitária. Ainda assim, enfrentam maiores desafios para acessar recursos produtivos, assistência técnica e mercados.

No universo do empreendedorismo, a realidade também revela desigualdades estruturais. No Brasil, milhões de mulheres empreendem, muitas vezes motivadas pela necessidade de gerar renda para suas famílias. Grande parte desses negócios nasce em contextos de vulnerabilidade social e se desenvolve com pouco acesso a financiamento, capacitação ou redes de apoio.

É nesse cenário que iniciativas de inclusão produtiva se tornam fundamentais.

Fortalecer mulheres produtoras, empreendedoras e lideranças comunitárias significa ampliar autonomia econômica, reduzir desigualdades e promover desenvolvimento sustentável nos territórios.

O Instituto Meio atua justamente nesse caminho: apoiando mulheres na organização coletiva, no fortalecimento de cadeias produtivas, no desenvolvimento de negócios comunitários e no acesso a oportunidades de geração de renda. Nos territórios onde o Instituto Meio atua, encontramos mulheres que se tornam verdadeiras agentes de transformação em suas comunidades.

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Neste Dia Internacional da Mulher, destacamos algumas dessas lideranças que fazem a diferença nos territórios onde estão inseridas. Mulheres que mobilizam pessoas, constroem soluções coletivas e mantêm vivas iniciativas produtivas que fortalecem suas comunidades.

São lideranças que, com trabalho, persistência e organização, mostram que o desenvolvimento local também passa pelo protagonismo feminino. Sem a atuação dessas mulheres, muitos desses projetos e iniciativas simplesmente não aconteceriam.

A seguir, compartilhamos algumas dessas histórias:

Vanda Lúcia Soares – Catas Altas (MG)

Vanda Lúcia Soares é fundadora da Associação dos Produtores de Vinho Artesanal de Catas Altas (APROVART) e liderança da Rede Trem de Nós. Ela atua na organização da associação, na mobilização dos produtores e na articulação com parceiros como EMATER e poder público.

Seu trabalho contribui para fortalecer a produção artesanal no município, especialmente o vinho de jabuticaba, produto tradicional de Catas Altas. A atuação da associação tem permitido aprimorar os produtos, organizar os produtores e ampliar as oportunidades de comercialização.

Rosângela do Nascimento Campelo Licá – Itapecuru-Mirim (MA)

Rosângela Campelo Licá é presidente da COOMAVI e liderança do grupo de quebradeiras de coco babaçu da comunidade do Vinagre, em Itapecuru-Mirim.

Ela mobilizou mulheres da comunidade para formar o grupo produtivo e iniciar a produção de derivados do babaçu. Junto com sua família, cedeu o terreno para a construção da agroindústria e investiu recursos próprios para aquisição de equipamentos.

Além da produção com o babaçu, Rosângela também cultiva hortaliças hidropônicas. Sua atuação incentiva a participação das mulheres na produção, em feiras e em espaços de comercialização, ampliando a geração de renda na comunidade.

Diana Santos – Quilombo Serra do Abreu (PB)

Diana Santos é presidente da Associação do Quilombo Serra do Abreu, em Nova Palmeira, na Paraíba. Ela coordena um grupo de mulheres que tem na caprinocultura leiteira uma das principais fontes de renda.

Diana atua na organização do grupo, na gestão das atividades produtivas e na mobilização das produtoras. Um marco de sua atuação foi liderar a perfuração de um poço de 97 metros, solucionando um problema histórico de falta de água na comunidade e garantindo condições para ampliar a produção.

Domingas de Moraes – Darcinópolis (TO)

Domingas de Moraes, conhecida como Dona Domingas, é presidente da COOAFETO, cooperativa localizada em Darcinópolis, no Bico do Papagaio (TO).

Ela atua na gestão da cooperativa, na mobilização das famílias produtoras e na articulação com parceiros institucionais. A cooperativa impacta cerca de 400 pessoas na região e gera empregos diretos.

Em 2026, acompanhou pessoalmente a entrega de produtos de um contrato de R$ 90 mil firmado com o programa Cozinhas Solidárias, percorrendo cerca de 900 km para garantir a execução da entrega.

Dona Olga – Vale do Iguape (BA)

Dona Olga é presidente da Associação de Mulheres Quilombolas e Marisqueiras do Vale do Iguape, na Bahia.

Ela coordena a organização do grupo e mobiliza as mulheres para participação em projetos e atividades produtivas. Sob sua liderança, a associação ampliou sua atuação e, em 2025, executou seis projetos com diferentes parceiros.

A associação também gerou oportunidades de trabalho para mulheres na unidade de beneficiamento de mariscos e contribuiu para que jovens da comunidade acessassem bolsas de estudo.

Laudeci Ribeiro – Mateiros, Jalapão (TO)

Laudeci Ribeiro é presidente da ACAPPM, associação que representa comunidades quilombolas no Jalapão.

Ela atua na articulação entre as comunidades e instituições parceiras, apoiando a implementação de projetos e a mobilização das lideranças locais. Também representa o território em eventos e encontros sobre sociobiodiversidade.

A diretoria da associação é composta majoritariamente por mulheres, que participam da gestão das iniciativas e da condução das atividades comunitárias.

Neste Dia Internacional da Mulher, o Instituto Meio parabeniza todas as mulheres que, com trabalho, coragem e dedicação, transformam realidades em seus territórios. Temos muito orgulho de apoiar e caminhar ao lado de mulheres que lideram iniciativas produtivas, fortalecem comunidades e constroem novas oportunidades de desenvolvimento.

Seguiremos comprometidos em fortalecer o protagonismo feminino, ampliar oportunidades de inclusão produtiva e apoiar mulheres empreendedoras, produtoras e lideranças comunitárias, reconhecendo que quando mulheres avançam, comunidades inteiras avançam com elas.