m diferentes regiões do país, a permanência das juventudes no meio rural tornou-se um dos principais desafios para o fortalecimento da agricultura familiar. Quando os jovens deixam o campo em busca de oportunidades de estudo, trabalho e qualidade de vida, não é apenas uma propriedade que perde seu sucessor: perde-se conhecimento, produção, identidade cultural e perspectivas para o desenvolvimento sustentável dos territórios.
Foi essa realidade que encontramos ao longo da execução do projeto Frente SAN, realizado em parceria com a Fundação Vale e o BNDES.
Durante nossa atuação, percebemos que falar sobre segurança alimentar e fortalecimento da agricultura familiar exigia olhar para uma questão ainda mais estrutural: compreender por que tantos jovens escolhem deixar o campo, e, principalmente, o que pode incentivá-los a permanecer.
Para responder a essa pergunta realizamos uma pesquisa nos territórios de atuação do projeto. O estudo buscou compreender, a partir da escuta dos próprios jovens e de suas famílias, quais fatores econômicos, sociais, culturais, familiares e territoriais influenciam essa decisão.
A pesquisa mostrou que a sucessão familiar é uma questão multidimensional. Ela envolve renda, acesso a oportunidades, perspectivas de futuro, qualidade de vida, participação nas decisões da propriedade, reconhecimento do trabalho realizado e, sobretudo, diálogo entre as diferentes gerações. Mais do que identificar desafios, esse diagnóstico orientou os próximos passos do projeto.
Com base nos aprendizados da pesquisa, promovemos os Workshops de Sucessão Familiar em Arari (MA) e São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), reunindo cerca de 235 participantes, entre jovens, famílias agricultoras, parceiros institucionais, lideranças locais e organizações que atuam no fortalecimento do desenvolvimento rural.
Os encontros foram concebidos como espaços de construção coletiva. Pais, filhos e filhas puderam compartilhar expectativas, desafios e sonhos sobre o futuro das propriedades rurais, enquanto especialistas e instituições parceiras contribuíram com reflexões e estratégias para fortalecer a permanência das juventudes no campo.
Acreditamos que a sucessão familiar não se resolve apenas com investimentos na produção. Ela exige escuta qualificada, diálogo entre gerações, oportunidades para os jovens e uma atuação articulada entre famílias, organizações, poder público e instituições parceiras.
No Instituto Meio, transformar conhecimento em ação faz parte da nossa metodologia. Por isso, começamos ouvindo os territórios, produzimos evidências para orientar decisões e criamos espaços capazes de mobilizar pessoas em torno de soluções construídas coletivamente.
Fortalecer a agricultura familiar passa, necessariamente, por fortalecer quem irá conduzi-la no futuro.