Algumas trajetórias se transformam em histórias de superação e esperança. No caso de Ana Paula de Jesus Ribeiro, de Ijaci (MG), o trabalho e a vida se entrelaçam de maneira profunda. Antes confinada às duras rotinas de um lixão, ela encontrou no apoio do Instituto Meio um caminho para ressignificar seu trabalho, sua comunidade e sua própria vida. Hoje, presidente da Associação dos Catadores de Material Reciclável, reflete sobre uma trajetória marcada por coragem, aprendizagem e conquistas coletivas.
A vida antes do projeto era dura e cheia de limitações. “A gente trabalhava porque necessitava, mas era um lugar que nenhum ser humano deveria estar. A gente passava por coisas ruins, cheirava mal, mexia com tudo que não era bom, era muito pesado”, lembra. O salário, que mal chegava a R$300, sustentava apenas o básico, e cada dia no lixão representava não só esforço físico, mas desgaste emocional.
Mesmo diante dessas dificuldades, havia sonhos que precisavam de oportunidade para florescer. A associação existia formalmente, mas não funcionava na prática. Não havia estrutura, recursos ou orientação para transformar a iniciativa em um trabalho sustentável. Ana Paula e seus colegas precisavam de apoio para começar a atuar de forma organizada, gerar renda digna e criar impacto real em suas vidas e na comunidade. Foi então que a InterCement, em parceria com o Instituto Meio, entrou em cena. Um projeto que trouxe assistência completa: do maquinário necessário ao apoio administrativo, criação de estatuto, regimento interno e toda a documentação legal.
Mais do que ferramentas técnicas, vieram incentivo, orientação e confiança: elementos essenciais para transformar vidas e abrir caminhos. A experiência marcou pro fundamente sua trajetória. Ela lembra de pequenas conquistas que simbolizam mudanças gigantes: a primeira compra de materiais para o barracão, acompanhada pelos parceiros; a assinatura de contratos intermediados pelo Instituto Meio junto à prefeitura; e o sentimento de igualdade e respeito que sempre marcou as relações. “Eles sempre nos trataram de igual para igual. Não éramos só beneficiários, éramos pessoas capazes, com potencial”, recorda.
O impacto dessa transformação é visível na vida cotidiana. Hoje, a associação beneficia quase 20 famílias, direta e indiretamente. O salário, antes de R$300, alcança seis vezes mais, e o trabalho ocorre em ambiente limpo, com infraestrutura adequada e sem os riscos e insalubridade do lixão. “O que fizeram lá atrás é de grande valor para todos nós”, afirma.
A presidente da associação garante que o projeto transcende resultados financeiros ou organizacionais: é sobre acreditar nas pessoas e nas comunidades, sobre construir oportunidades e ensinar que, com apoio e persistência, sonhos podem ser realizados. Ela reconhece que a reciclagem, além de gerar renda, transforma o meio ambiente e a percepção da sociedade sobre o trabalho das mulheres envolvidas.